terça-feira, 10 de março de 2015

Não dê seu dinheiro para 50 tons

     Quase sempre me identifico com a Raquel. Seja pelos draminhas, seja pela escrita sensa que ela tem.
     Aí fiquei querendo falar sobre 50 tons de cinzzzzzzzzzzz
     Mas aí depois que eu acordei achei que devia mesmo falar sobre isso. Não li, nem vou ler porque gente, existe Clarice Lispector. Acho que isso basta.
     Mas além de Clarice e de meu tempo curto para se perder com literatura / cinema ruim, acho que qualquer pessoa com um mínimo de preocupação com questões do que é ser mulher nesse mundo de hoje deveria passar longe desse filme. Aí eu ia escrever que sim, é possível criticar algo que você não viu/ não leu porque oras, todo mundo já contou e recontou a Estória. Então a coisa é muito superficial e eu sei, sim, tudo que tem na "obra".
     E vem a Raquel e me poupa de lutar contra a minha preguiça. Além do fato da questão feminina que coloquei aí em cima, ela fala de tudo que eu queria falar sobre esse lixo degradante.

"achei válido reforçar 30 vezes que tudo era consensual, que ela tinha o poder de dizer até onde estava disposta a ir. pena que o problema não é esse, né. persegui-la em todos os lugares não é consensual. vender o carro da menina não é consensual. ela diz que vai viajar pra ver a mãe, ele conta uma história triste de seu passado traumático pra ver se ela desiste de ir. ter a delicadeza de perguntar antes se pode usar plugues anais não minimiza esse resto todo aí que seu grey saiu fazendo porque deu na veneta.

acho muito horrorosa a insistência em vender reabilitação de sociopatas como história de amorrrr, em que a mocinha atura muita humilhação, patada e falta de civilidade porque o cara ruim-porém-bom-lá-no-fundo um dia há de se emendar. o mais bizarro é que nesse caso especificamente a coisa está mais para o cara bundão inseguro com idade emocional de oito anos que precisa metralhar clichês e declarações constrangedoras para cima de uma virgem sem um pingo de traquejo, já que qualquer mulher adulta provavelmente teria mandado um “AH, VÁ” nos primeiros 10 minutos.

resumindo: todo um cansaço."

obrigada, mais uma vez, dramaticazinha do meu coração.


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