terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uma tarde na padaria (ou "vai à merda, menina")

     Costumamos lanchar numa mesma padaria, quase todos os dias, aqui perto do trabalho, no centro. Lá tem o melhor pão de queijo de padaria que já comi e o café é bom, o que é um must. Como quase todos os dias, hoje voltei lá para lanchar.
     A questão é que é uma padaria que quase sempre está cheia, então ou você fica mais ou menos espremido no balcão ou aguarda abrir uma vaguinha. E esse espremido é um espremimento normal, nada que as pessoas fiquem encostando em você enquanto lancha nem nada. Apenas falta de espeço em troca de um pão de queijo espetacular. I can handle it.
     E eis que hoje vejo que faltam 5 minutos pra sair o pão de queijo - me animo e espero. Vou até a geladeira e pego um chá gelado (o calor não deixava tomar café) e parei num espaço do balcão pra aguardar os, agora, 4 minutos. Entra uma senhorinha na padaria,  E então ela mostrou as garras (que dramático meu texto). Ela passou por uma moça que estava lanchando mais na entrada da padaria que falava ao celular. A moça estava falando algum assunto que era claramente de trabalho e numa altura perfeitamente normal e educada. A senhora resmungou MUITO ALTO dizendo algo do tipo "telefone celular, vê se pode" [Favor ler tudocomo se estivesse sendo irônico e com raiva] e ela para exatamente do meu lado esquerdo, onde havia talvez 67% a mais de espaço do que num dia normal entre mim (sim, é entre "mim" que se fala) e a outra pessoa. Sim, havia outros lugares, mas na hora achei que ela não queria/ podia andar muito e teve que parar ali. Já senti o clima pela resmungação dela e foi aqui que veio:
     - Você pode chegar um pouco pra lá?
     Eu não resisto a uma oportunidade de usar toda essa ironia guardada no meu coração:
     -Sem dúvida que sim.
     Até porque não queria que ela começasse a resmungação sobre minha pessoa. A moça do telefone encerrou sua ligação com toda calma e a senhora recomeçou a atacá-la de modo "indireto" (atenção às aspas), falando super alto como era absurdo a moça estar no celular. A moça diz:
     - Minha senhora, eu estou no telefone porque estou trabalhando!
     - E o que eu tenho com isso?
     (Aqui eu saio do lado da senhorinha e vou pra ponta do balcão)
     - Exatamente, o que a senhora tem com isso pra ficar falando?
     (Achei ótimo. Rolaram alguns outros gritos que não consegui identificar e a moça voltou ao "o que a senhora tem com isso". Achei ótimo de novo porque ela tinha toda razão).
     Na falta de argumento a senhora, do alto de sua bengala e de seu sobrepeso e cabelo branquinho, grita:
     - Ah, vá à merda, menina, EU SOU POLÍCIA FEDERAL FEMININA E NÃO TOLERO ESSE TIPO DE COISA.
     Preciso falar que a galera meio que riu/ meio que ficou sem graça de rir porque era uma senhora? Preciso falar que a moça ficou muito puta/ sem graça de ficar puta porque era uma senhora?
     Nesse momento rolou todo um arrependimento de ter saído de perto pois não consegui entender o diálogo curtinho que seguiu. Fiquei olhando a moça de longe enquanto comia pão de queijo, quis ir lá falar com ela porque vi que ela tava chateada. Eu também ficaria.

     Numero 1: lembrei desse vídeo:


     Número 2: babacas também envelhecem. E eu teria falado isso aí pra moça do celular.

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