sábado, 28 de junho de 2014

Sobrenome e escolhas

     Então, vou casar. Nunca fomos pessoas de família rica, com latifundiário e banqueiro na família. No máximos tivemos mais de dois celulares na vida e conseguimos viajar uma vez por ano (dentro do país e tal). Gente normal.
     E olha que foi muita conversa, de acordar num dia planejando mesa de frios pra 30 pessoas, almoçar achando que seria um churrasco cada um leva mei-quilo de linguiça e dormir desistindo de qualquer elemento festivo. Literal isso aí que eu escrevi.
     Acontece que rola toda aquela coisa que alguns podem considerar machista (eu não considero) do sonho do casamento. Poxa, muita gente acha bobagem, mas eu de fato encontrei a pessoa pra dividir a vida e a vida é melhor com ele, e isso me leva a querer aquelas coisas de que eu ria quando tinha lá meus 13 anos. Ria porque, né, a coisa do pai entregando no altar, do sobrenome, da legitimação de senhora só vir depois do casamento (já perceberam que o homem é senhor desde que nasce?) essa coisa toda. Tava até conversando com uma amiga esses dias sobre isso e mesmo, meu âmago tende a rejeitar essas coisas porque tenho a alma contra machismo.
     Contra machismo porque acho o machismo uma nojeira, aquele povo que objetifica a gente, que acha que tá certo mulher ganhar menos, que defende que a culpa do estupro é da roupa curta da mulher etc etc etc. E isso entra na onda de qualquer radicalismo burro, no sentido de que o radicalismo pode ser inteligente e positiva: tipo, sou radicalmente honesta, sou radicalmente fiel, etc.
     Mas e aí? E quando você reflete que seu pai tem 69 anos e, apesar de ser um feminista super pra frente, ele deseja a coisa toda do altar? E quando você percebe que, pro seu futuro marido, homem que vai dividir a vida dele com você, o acréscimo do sobrenome é motivo de orgulho e de indício de formação de família, e não de posse? E quando você se pergunta se você quer isso e você descobre que sim?
     Foi difícil pra mim. Porque eu tava com aquele auto-preconceito de estar traindo o movimento, sabe. Mas acho que o pulão do gato está exatamente aí. E o que eu quero? O feminismo tem de superar o que eu quero? Eu vi que eu queria colocar o nome dele porque isso significa muito, até porque estamos há 10 anos juntos e tem história nisso. Vou casar na igreja porque isso faz parte da nossa fé e espiritualidade. Descobri que quero que meu pai me leve na igreja porque ele não está me entregando e aquilo nao simboliza nada além de - meu pai caminhando comigo até meu marido. Para mim. E, gente, é meu casamento, é isso que importa.
     Acho muito triste aquele povo que tem pena de toda e qualquer mulher do lar (dona de casa). Acho triste quem acha triste quando um homem não deixa a mulher segurar a sacola pesada. Acho triste quem é amasiado olhar pra quem se casa com toda "a coisa" com desprezo, dizendo que o amor deles "não precisa de nada disso". Meu amor também não precisa de nada disso, mas minha concepção de relacionamento tem isso, poxa, pra quê pisar. Acho triste quem acha que homens e mulheres são iguais. Não são. São muito diferentes. Além das diferenças fisiológicas óbvias e suas decorrências, temos gostos, hábitos, hormônios - e por isso certos comportamentos, visão de mundo diferentes. Eu uso esmalte e sei a diferença entre as cores dos meus 250 vidrinhos, sendo que ele os dividiria entre vermelho, amarelo e azul. E que bom. Que bom ter encontrado a pessoa com o outro polo, pra contribuir na minha vida com sua visão masculina, sendo a pessoa que eu escolhi e amo.
     O problema das coisas (ser dona de casa, amasiar, ter cachorro, comer jiló)  é quando elas acontecem na sua vida e você não está feliz com elas. Parem de julgar as mulheres que viram Sra. Sobrenomedomarido porque, filhinha, se ela está feliz, quem tá amargurada (e com a vida alheia) é você.
   
ps: Assistam "O Sorriso de Monalisa".

2 comentários:

  1. Joyce... minha linda todas essas questões acerca de coloco ou não coloco o sobrenome dele? Também, passei e ainda passo, já que não troquei nenhum dos meus documentos, por preguiça mesmo! Ficava me perguntando: logo eu que quero ser doutora em literatura, quero palestrar, debater, estudar, blá, blá,blá... vou colocar o sobrenome do meu marido, atitude considerada atrasada por muitas colegas que vivem no mundo acadêmico. Mas como você também pensei, poxa eu vou me casar de branco, vou usar uma mantilha catedral, vou dizer "sim" diante do padre ao lado do menino que estou á 10 anos e porque não colocar o nome dele? Só porque vivo e gosto de um mundo onde as mulheres são independentes. A cada dia vejo que ser mulher independente não exclui romantismo e tradicionalismo, e até mais gostoso e desafiante. Quero ter jardim, horta, cachorro, gato, papagaio, filhos gêmeos e ainda dar aulas, ser doutora e ainda sim, ser uma senhora amada e respeitada pelo meu parceiro. O legal que temos exemplos na faculdade um é a Bárbara Simões e outro era a Fafa (Fátima Bittar) todas lindas, mães, inteligentes, esposas, professoras... ou seja tudo de bom.

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    1. falou tudo, van!
      quem disse q um exclui o outro???? isso é burrice. me incomoda muito o feminismo que tenta impor, sabe, acima da felicidade e do desejo das pessoas. tem mt exemplo de gente q toca um foda-se pra isso (tipo vc citou) e, cara, elas é q tao certas! a vida é delas e é na atitude q se mostra a vanguarda, a intelectualidade, etc.seu nome não vai definir sua submissão? ótimo! taca ele lá e vamo ser feliz sendo doutoras, tendo horta, papagaio e dando aula

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