quarta-feira, 5 de março de 2014

Aleatoriedades e solidão



      I. Essa semana sentei atrás de um casal de surdos no ônibus (ou pelo menos um deles era surdo, não sei). Reparei que eles se olham muito nos olhos! Eu não sei LIBRAS (shame on me), eu nem tava tentando entender o que eles conversavam, mas fiquei reparando que eles se olham muito intensamente. E nem é aquela coisa de que, lógico, eles têm que se olhar pra ver os sinais e conversar, era uma coisa assim, olho no olho, engraçada; acho que a gente suplanta essa necessidade de olhar pro olho da pessoa porque acha que escutando vai pegar tudo que a pessoa tá querendo dizer/ dizendo. Pobres de nós.
     II. Se eu vir outro post de blog que se chama alguma variação de "as maquiagens do Oscar" eu ligo pra Dilma e mando fechar o Brasil.
     III. Li não sei onde que um blog é um apanhado de emails que a gente não tinha pra quem mandar. Gente.
     IV. Quanto mais eu resolvo coisas da minha lista mais coisas eu tenho pra fazer o que me mostra que minhas atividades se desenvolvem por bipartição/ PG/ sei lá. E eu nunca consigo descansar porque quando eu resolvo que eu vou ter.que eu fico pensando no que eu deveria estar fazendo. Ou seja, nem descanso nem trabalho. Não tem nada atrasado, nem tô enrolando nada, mas minhas raízes profundamente nerd me levam a esse desespero.
     V. Eu tenho vizinhas com vozes insuportavelmente chatas. Mas é uma coisa assim, impressionante. Além do fato de que elas conversam muito alto, o dia todo, sobre coisas insuportáveis e têm essas vozes horrorosas e irritantes.
     VI. Fiz hidratação no cabelo. Fiz com o Novex de bambu, uma tampinha de Bepantol Derma e uma colher de Yamasterol branco. Mas meu cabelo tá bem ferrado, não surtiu muuuito efeito. É também porque descuidei nessa loucura que tá minha vida.
     VI,V (6,5). Eu nunca estive tão ocupada em toda a minha existência, o que me faz pensar que talvez as coisas só piorem nesse sentido. QUE BOM.
     VII. Dar aula é uma coisa engraçada porque, né. Ser professor no Brasil. São tantas variáveis, são tantas influências, são tantos programas de ensino, propostas, etceteras que, gente. Olha, dá medo. Esse negócio de assistir House of Cards não tá me fazendo bem porque a gente vai ficando mais consciente dos jogos, das coisas que acontecem por trás (aqui no Brasil não tão por trás assim) e, p*, como somos jogados, como estamos impotentes, como estamos à mercê. Esse negócio de ser professor me doi. Doi porque eu trabalho em uma empresa privada que ama os alunos, que quer o bem deles, que tem interesse no crescimento o no conhecimento como forma de evolução. E eu sou pesquisadora de uma universidade federal. Eu vejo os programas públicos. Eu sou bolsista. Eu vejo que quase sempre existe muito descaso porque o mal do mundo bate em tudo: o interesse individual. Esse é o mal do mundo. Não descobri nenhuma pólvora, a gente já sabia disso. Mas MEU DEUS como isso afeta a gente. A gente quer dar aula, a gente quer ensinar alguma coisa, a gente acabou acreditando mesmo que conhecimento é poder e poxa vida. Cade que a gente consegue se mexer? Cade o interesse de quem manda? É bem triste. Tentar empreender nessa conjuntura ("nesse país", por mais vago que isso seja) é um cachorro atrás de um carro. Não, não somos o cachorro. É a situação. Em que o cachorro corre achando que dá. E o carro nem toma conhecimento dele.
     E nesses momentos é que eu lembro de ver uma daquelas imagens de facebook, que me deixa triste pela sua dose de realidade, que eu sinto vergonha de admitir pra mim o quão real ela pode ser:


     Porque o mundo, a situação, as pessoas (e eu odeio estar sendo tão vaga) fazem com que a gente fique cada vez menos preocupada com a sacola de plástico, sendo a sacola de plástico uma metáfora para qualquer preocupação com a vida em geral fora do umbigo. É uma máquina tão bizarra e tão massacrante (de ver gente do meu lado falando de desvio de dinheiro público como quem fala de promoção de manteiga) que a gente pensa que não dá. Não dá. Eu sou nova demais pra dizer que um dia fui idealista pra caramba e não sou mais, mas acaba que é verdade. Em muito pouco tempo - o que é compreensível dada a velocidade da vida - eu vi que eu me realizo numa profissão que me detona. Emocionalmente, financeiramente, espiritualmente, fisicamente. Na empresa privada em que trabalho, tudo uma maravilha. Eu encontrei pessoas que pensam como eu, na educação como ferramenta de transformação da vida e que o preço que se cobra por isso deve ser justo. Tudo ótimo. Mas é certo que só na iniciativa privada as coisas ocorram da maneira que deve ser? Minha profissão me detona quando eu não tenho
 equipamentosegurançaapoiodireção
tudo isso no mais amplo senso.
     Minha profissão me detona quando eu vejo que dentro da máquina são só os elos mais fracos a querer fazer a coisa dar certo e, meu Deus, não é só na minha profissão. É assim que eu vejo que a gente rala muito e tenta não ficar com o troco a mais no supermercado porque de fato acredita em certas guias da vida e, cacete, estamos irremediavel e arrebatadoramente
so.zi.nhos.

4 comentários:

  1. Nossa, não poderia mais concordar com tudo que você escreveu aí. Estou vivendo aquela crise de faculdade agora, no meio do mestrado. Decidi que não quero dar aulas, mas não vou desistir do mestrado porque, afinal, é melhor ter o título. Também não quero trabalhar em nada que minha formação oferece porque descobri que odeio minha área. Ou seja, não sei por onde começar, não vejo luz no fim do túnel. Mas enfim, só sei que preciso de dinheiro pra pagar aluguel e isso é uma merda total. Aliás, tudo tá uma merda total. Tão triste nós sermos mero mortais...

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    1. ai, carol, me peguei querendo dar uma resposta muito motivacional e de que td ficara bem. mas provavelmente vamos ralar muito até lá.
      for now, keep calm. to tentando tb. e termino o mestrado quinta feira que vem, entao, de quem ta na mesma, termina sim. compensa.
      e, correndo o risco de ser vidaloka, #tamujunto

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  2. Escrevi um comentário enorme e ele sumiu. Revolvei. Não vou mais comentar, depois te conto o que eu ia escrever.

    (cada hora o negócio comenta com um nome, mas é tudo eu)

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