terça-feira, 23 de julho de 2013

O que de fato temos

     Quando tinha uns 13 anos eu achava que aos 23 eu estaria casada e com filhos. Eu também achava que eu ia fazer faculdade de farmácia, odonto, que ia ser modelo, cantora, que ia estar na Alemanha, teria uns livros publicados.
     Com quase 25 eu estou pra casar, fiz Letras, não escrevo nada, passo mal quando vou colher sangue e etc. E se, sei lá, meu eu de 11 anos me visse hoje sei lá se ia me achar grandes coisas porque ninguém na rua me reconhece e não pareço com ninguém em E.R. (Plantão Médico), não escrevi livro, não nada. Eu com 11 anos não ia achar coisas máximas sobre mim porque eu com 11 anos não sabia nada do que seria ter mais de 20 anos, do que seria ser noiva, do que seria trabalhar, de como o giz resseca a mão da gente, de como Plantão Médico tem muita mentirada e tal.
     Na verdade nem sei bem o que quero falar com tudo isso, a questão é que muitas vezes a gente pode acabar se vendo com o olhar de 11 anos de idade, olhar de quem não saca nada sobre a vida real, sobre como as coisas de fato são e acontecem; com o olhar de quem não sabe que problema é pra todo mundo e que ser bem sucedido é muito mais que ser famoso e que há pessoas que realmente fazem valer a pena.
     A gente tem mais é que se olhar como gente real, com o olhar de quem tem 89 anos e acha muito legal crochê e dias em que a artrose não doi.

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