quinta-feira, 13 de junho de 2013

Qualidade, literatura, implosão

     Eu faço mestrado. Eu sou mestranda. Eu estudo literatura porque não parecia que tinha outra opção pra mim, tinha que ser isso, tinha que ser a academia - apesar de rolar aquele sentimento de implosão da babaquice acadêmica etc. Eu faço mestrado e eu estou escrevendo uma dissertação que já tem 30 páginas.
     E eu marquei meu exame de qualificação, em que você manda suas 30 páginas pro seu orientador e pra mais um professor pra lerem suas 30 páginas e saberem se tá prestando, se não tá, pra onde vai, que que foi. Qualificam suas 30 páginas.
     E no dia em que eu entreguei minhas 30 páginas teve um rapaz lá na faculdade dando a louca, alcoolizado, xingando professores, etc. E foi engraçado, galera riu, segurança chamou, o garoto chorou mas achei tudo aquilo muito doido e eu ficava segurando aqueles dois volumes encadernados que eu nem tinha coragem de abrir de novo com medo de achar erros espaçamentos grifo nosso paginação ortografia. Foi um dia muito engraçado, e tem sido, porque agora tá doendo perceber forte que eu faço mestrado há um ano e meio já, na verdade eu tô acabando um mestrado em literatura, eu já tenho uma dissertação começada com trinta páginas eu já vou qualificar. Eu fiz letras. Eu fiz vestibular, eu passei, eu fui naquela faculdade todo dia durante anos e ainda vou e vou continuar indo e os corredores já são familiares e eu escrevendo assim é moleza lembrar do Saramago e achar que estou ofendendo o cara.
     Enfim.
     Literatura, sim, porque o mô disse outro dia que "eu quero muito mais do que dinheiro". E eu também. Entrar na sala de aula, sacar uma parada narrativa numa prosa muito boa, sacar uma métrica que tem tudo a ver com o tema, fazer piada com o nome do Nietzsche - eu gosto, eu sou. Eu fiquei isso de repente, e, ao mesmo tempo, foi aos poucos que eu fiquei isso de ser da literatura (como a gente diz aqui na FALE - faculdade de letras). Foi aos poucos porque tudo me levou a isso, os livros que eu ganhava, a Turma da Mônica que eu lia todo domingo, o pacote de guardanapo Roma - lá a primeira palavra que eu li, aos 4 anos... E foi de repente porque ontem eu passava esmalte e hoje eu vou qualificar trinta páginas de dissertação que eu escrevi escrevo escreverei. Hoje eu indico livros pro pessoal da graduação, e meus amigos de caminhada - uma tá no sétimo período, outra é mestranda da PUC, moça dando aula no Estado, tem gente que já sabe o que vai fazer do doutorado, contingente, menina vai voltar pra Petrópolis, menino tá dando aula que nem louco e minha foto de plano de fundo do desktop é Berlim, porque tem que ser Berlim, ich weiss es nicht - warrum?
     Vou qualificar. Tenho 30 páginas. Sou da literatura.

10 comentários:

  1. <3 and I'll be there for you se você quiser dar a louca que nem o rapaz citado! :3 [sou eu a do 7º período, né? hihihi]

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    1. sim, sim, sim, porque pra mim vc é ainda a garotinha q acabou de entrar na faculdade, porque minha percepção de tempo q passa tá fail demais.
      vamos dar a louca, sim, porque não tem mais nada pra dar.

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  2. E eu sou aquele que está dando aula feito louco (Eu A-D-O-R-O, eu me A-M-A-R-R-O!, só que não! rs). Tenho muito orgulho de você e da nossa amizade, que preciso repetir, começou na fila da matrícula e que vai ultrapassar a distância de Berlim! Tamo junto, sempre! :)

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    1. I know, beibe, I know!
      brigada por tudo! seu apoio é sempre mt importante p mim!

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  3. Eu vou, mas eu volto! Quem sabe? rsrsr
    Orgulho de ter uma amiga mestranda que vai qualificar!
    Congrats baby!

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    1. orgulho de ter uma amiga de Pets, que vai, mas volta!
      e, principalmente, msm q não volte, vai estar aqui.
      brigada por td, amg

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  4. Que grande tudo isso, não? Até assusta, à vezes... E quanto maior, e quanto mais "já é tanto", mais falta, mais se vê que o caminho é longo. Somos felizes assim. Mas é possível que os ignorantes (não no sentindo ruim, mas como as crianças mesmo, ou como nós ontem, nós hoje em relação a amanhã) sejam mais felizes até. Porque a ingenuidade e a ignorância também protegem, nos põem no colo, nos deixam dormir. Quanto mais se conhece, mais se vê que há mais para se conhecer. E queremos mais, porque a responsabilidade que nos faz medrosos também nos faz grandes e sedentos. É um ciclo eterno de medo e desejo. Depois de tudo isso, sem nem me dar conta, já sou moça, "moça que dá aula no Estado".

    Com mil carinhos,

    Marina

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    1. nem tenho resposta pra te dar pq acho q vc escreveu tudo. tudo mesmo. esse post poderia ser apagado e eu copy and paste seu comentário.
      e qd fica sem dormir, comofas? e qd dorme, e se percebe q por ignorância se dormiu?
      mil bjs, amg

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  5. Lindo, Joyce!
    Ainda não entrei numa de qualificação (termo que, dependendo do professor, faria par, tranquilamente, com lubrificação), mas fatalmente (mais precisamente, ano que vem) esse dia vai chegar.
    Ainda não olhei pra trás pra tentar enxergar os corredores familiares pelos quais passam alunos que agora nos pedem dica de livro, o que estudar para o mestrado...enfim.
    O mais engraçado é que esse corredor parece não ter fim. Talvez não tenha mesmo. Ou simplesmente alguns de nós (seres humanos, acadêmicos ou não) tenhamos sérios problemas com a propriedade "profundidade" da visão. Só dá pra te desejar boa sorte. Ou, te dizer que "a sorte é a competência que o expectador absorto não vê". Como sei que competência você tem de sobra: vai lá e arrasa!
    Um abraço do seu amigo contingente.

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    1. e isso eu acrescentaria a tudo q a Marina escreveu - eita casal xuxu beleza.
      não enxergue os corredores: tem hora q dá tontura. são tds iguais, diferentes, etc. profundidade, perspectiva, enfim, não tive mts aulas de artes na vida.
      contingente: ainda não guardei o conceito.

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